TBT: Sanduba, a gatinha que ama tricô!

Que TBT gostoso esse, eim? Primeiro porque toda mãe ou pai de gato adora falar dos seus nenês, e segundo porque o tricô tem tudo a ver com a amizade que construí com essa pequena animal! Vem comigo que eu te conto tudinho!

Quando a Sanduba chegou na minha casa, eu não sabia nada, nadinha, sobre gatos e ela não sabia nada, nadinha sobre humanos. E foi sofrido, eim?

Como ela foi resgatada, não sabemos o que aconteceu com ela antes da adoção, mas pensa numa gatinha arisca? Todo dia se escondendo em um lugar diferente da casa, atrás da geladeira, dentro do forno do fogão, dentro do box do banheiro, mas principalmente embaixo da cama.

Foi muito sofrido pra mim, pessoal. Imagina você acostumado com doguinhos e de repente um gato bolado aparece? Achei que nunca fossemos virar amigas….

Mas, depois de muito conversar com meus amigos gateiros e chorar alguns dias na terapia, acabei entendendo que gatinhos demoram um pouco mais pra confiar na gente, ô bichinho desconfiado!

Depois de quase um mês da gatinha sem sair debaixo da minha cama, comendo escondido enquanto eu dormia, o tricô foi fundamental na nossa aproximação!

Essa nenê adora uma lã, um novelo saltitante pra correr perseguindo!

E numa tarde de domingo, enquanto eu desmanchava esse casaquinho (que na época era uma caxarrel) a gatinha Sanduba, felinamente, saiu de baixo da cama e veio brincar!

Depois desse dia, nós começamos uma boa jornada juntas. Ô, gatinha companheira, eim?

Só sobrevivo à quarentena, ao isolamento social e ao home office com aulas online, porque essa nenê decidiu que eu era uma pessoa do bem e por causa do tricô.

Não sei exatamente porque ela decidiu aparecer naquela hora, enquanto tricotava. Nem sei porque ela sempre vem tricotar comigo, mas nossa amizade foi selada com lã Batik e agulhas 3.5.

Achei que nunca fossemos virar amigas!

Pro azar da Sandubinha, lã não é um brinquedo muito legal para gatinhos. Eles podem acabar engolindo alguns pedaços e isso virar um problema bem grave de intestino que precisa de cirurgia. Por isso, sempre que tricoto fico com os olhos bem abertos, pra ver onde que a gata está e se tá com a boca na butija.

E, claro, que sob forte supervisão, acabamos brincando com lã de vez em quando.

Foi uma delícia contar essa história pra vocês!
Até a próxima e uma grande Abraço Quentinho!

Cardigã + Top cropped (se deus quiser)

Há mais ou menos 3 ou 4 (???) anos atrás, tinha uma loja de armarinhos no caminho do meu ponto de ônibus pra faculdade. Todo dia eu passava na frente e todo dia eu namorava essa lã coisa mais linda do universo. Faltava um pouco de coragem pra comprar pq a Juliana do passado não era tão colorida assim quanto a do presente, mas depois de semanas me enrolando, finalmente me decidi e comprei.

Acontece que essa lã é muito linda e precisa virar uma peça que valorize suas características de lã mesclada. E foi assim que eu quase detonei ela de tanto desmanchar tudo que eu começava! Ela já foi suéter, caxarrel de gola alta, já foi jaqueta, uns pedaços viraram pompom – uma loucura criativa.

Mas eu já me decidi!!!!

No final do ano passado peguei essa lindeza e desmanchei de novo. Nessa última vez, era um suéter cheio de tranças, que acabaram invisíveis pq a lã já tem muitos detalhes. Então comecei a tricotar um casaquinho liso. Agora que ele já está quase pronto, comecei a pensar o que fazer com a sobra da lã e a ideia foi instantânea: conjuntinho de cardigã + cropped combinando. Ainda existe a possibilidade da lã que sobrar não ser suficiente pro cropped, ai inventamos outra coisa rsrsrsrs
A seguir explico certinho qual é a minha ideia, pra vocês tentarem imaginar, pode ser?

Agora já não sei mais quantos novelos eu tenho pra trabalhar! Na época comprei 5, mas com o tempo acabei usando a lã pra algumas finalidades que me arrependo kkk e to com menos do que eu gosto de ter, ta muito desconfortável essa dúvida. Apesar de estar na estica, acredito que vai ser suficiente!

As agulhas, apesar da embalagem sugerir agulhas 4 a 5.5, o meu gosto pessoal é um ponto bem fechadinho e apertado. Pra conseguir esse efeito, sempre uso agulhas 0.5 menores que a indicação da embalagem.

As listras são um elemento fashion que nunca sai de moda. Todo ano a listra é tendência, já reparou?

Com essa lã, minha intenção é que as listras se fundam em um bonito degradê. Será que, com o tipo de mescla dessa lã, eu vou conseguir? Vamos descobrir juntas!

Outro detalhe especial das lãs mescladas é que você não controla a grossura da listra, então teremos um resultado bem irregular e bonito.

Quando eu era criança, minha mãe comprou uma revista de tricô só de conjuntinhos de cardigã com coletes e eu queria muito que ela fizesse pra mim. Tinha um nome esse tipo de conjunto, mas eu esqueci, se você souber me conta!

E pra juntar o útil ao agradável, já que não temos muita lã, vamos deixar essa memória afetiva mais moderna e usar a inspiração do colete para produzir um cropped! Bônus: tá super na moda!

E para realizar o nosso projeto, escolhi alguns detalhes que vão ser marcantes na nossa peça!

O cardigã será produzido em ponto malha, com um lindo detalhe de trança na gola.

Já o cropped, será uma mistura! Estou pensando em fazer ponto malha com algumas trancinhas.

Ainda estou pensando em quantas tranças vou fazer, preciso testar e ver se a lã vai ser suficiente. Para as costas, vou apostar em uma amarração, bem no estilo da foto!

Amanhã volto com mais infos sobre o projeto!
Um grande Abraço Quentinho!

Dia internacional das mulheres!

Por que o slow fashion tem tudo a ver com feminismo?!?!

Hoje é dia das mulheres, 08 de março! Um dia histórico, celebrado no mundo todo, um dia de reflexão e muita luta!

Você conhece a história por trás dessa data? E que diacho o slow fashion e o tricô tem a ver com tudo isso? É só continuar lendo que você vai descobrir!

O dia internacional das mulheres existe desde 1911, quando foi celebrado pela primeira vez em um grande ato mundial, protestos pelos direitos das mulheres tomaram as ruas de vários países do mundo. Mas só em 1921 que a data se fixou no dia 08 de março.

Muitas pessoas conhecem uma parte da história, mas hoje vocês vão descobrir um pouquinho mais! A escolha da data presta homenagem a dois acontecimentos muito importantes da luta feminista do início do século XX.

Reprodução Instagram / Women Alliance

Século XX: um século de lutas e conquistas!

Reprodução Facebook / @lassufra

Elas não eram fracas, pessoal! Mesmo acreditando na democracia, elas não dispensaram o uso das ações diretas. E as greves foram muito importantes na conquista de muitos direitos que temos hoje!

No final do século XIX e início do XX, o movimento feminista tinha outro nome e uma missão: o voto feminino! As mulheres da época acreditavam no poder do voto e da democracia. Assim, poderiam participar da escolha das/dos representantes e ter suas pautas representadas e, eventualmente, uma mudança de realidade.

O voto feminino é chamado de sufrágio, e aquelas que lutavam por esse direito são conhecidas como Sufragistas.

(foto: pixabay)

Tá, mas e o dia das mulheres?

O direito ao voto era a pauta principal das Sufragistas, mas não o único. Outras lutas como a igualdade salarial e boas condições de trabalho já estavam na lista de pautas.

A revolução industrial pode sim ter trazido vários avanços e progresso, mas também trouxe muitos problemas. Não podemos fechar os olhos para o que foi essa grande transformação da sociedade.

Reprodução BrasilEscola

Nesse cenário da revolução industrial, a mulher atuou principalmente como mão-de-obra da indústria têxtil. Jornadas de trabalho de 17 horas diárias, inexistência de dias de folga ou férias, ambientes insalubres e produtos tóxicos, remuneração 60% inferior a dos homens e trabalho infantil era a norma! Após algumas décadas vivendo dessa maneira, as mulheres começaram a se organizar em sindicatos e uniões trabalhistas.

O início do século XX foi tomado por greves e protestos, muitas conquistas e direitos que temos hoje vem da luta dessas mulheres! E o Dia Internacional da Mulher presta uma bela homenagem àquelas que morreram lutando, vítimas do preconceito de gênero. A escolha da data 08 de março é um símbolo, a data foi escolhida para que nunca esqueçamos nossa força, nossas dores, nossas lutas, nossas conquistas – para que o passado trágico nunca seja esquecido e, assim, que nunca se repita.

A data 08 de março coincide com dois grandes eventos da história da luta das mulheres. Vamos conhecer eles?

1911, Estados Unidos

Esse evento é o mais conhecido e provavelmente você já sabe sobre o que se trata, mas aqui vem mais detalhes!

Desde 1909 os Estados Unidos vinha atravessando uma onda de greves do movimento Sufragista. No período de 1909 a 1911 aconteceram mais de 500 greves!!

Reprodução Wikipedia

As greves dessa época ficaram conhecidas como “Sit down strikes”, porque os trabalhadores até iam para as fábricas, mas ao invés de trabalhar, ficavam sentados impedindo a produção (sit down = sentado; strike = greve).

No poster se lê: “Trabalhadoras da indústria têxtil: sentem-se! Nos ajudem a conseguir 40 horas por semana!”/ Reprodução libcom.org

E no ano de 1911, durante uma dessas greves, uma grande tragédia (na vdd um grande crime) aconteceu. As trabalhadoras da fábrica de tecidos Triangle Shirtwaist, em Nova Iorque, estavam protestando por melhores condições de trabalho, quando foram trancadas nos andares mais altos da fábrica (que tinha 12 andares) e, então, foram queimadas vivas. Não existiram sobreviventes, as que tentaram pular pelas janelas, caíram em queda livre para a morte.

Nesse dia, mais de 120 mulheres foram assassinadas por lutarem por nossos direitos, por ousar lutar por igualdade.

1917, Rússia

Reprodução Wikipédia

Do outro lado do mundo, as coisas não estavam mais calmas. A Rússia da época estava enfrentando uma grave crise, a população estava morrendo de fome, os salários eram muito baixos e quantidade de horas de trabalho era absurda. Para completar o Czar (“rei”) havia confirmado a entrada da Rússia na 1ª Guerra Mundial

Aterrorizadas pelo presente e apavoradas com a perspectiva do futuro, 90 mil mulheres realizaram o que foi, até então, o maior ato da história pelos direitos das mulheres. Esse ato ficou mundialmente conhecido como “Pão e Paz”. As revindicações desse ato foram lembradas, quando naquele mesmo ano, 1917, as russas foram as primeiras mulheres a conquistar o direito ao voto.

Por isso tudo, o dia 08 de março foi a data escolhida para o Dia Internacional da Mulher. Por seu simbolismo, relembrando um dia de grandes tragédias para que não se repitam, e também nos lembrando que a luta apesar de difícil, vale a pena!

E o tricô? E o slow fashion?

Você reparou que durante todo esse texto, as mulheres aparecem o tempo todo como operárias da indústria têxtil? Pois é, até hoje as relações de trabalho deste setor são extremamente complicadas.

Ainda hoje, a força de trabalho da indústria da tendência ainda é em grande parte feminina, sendo o trabalho análogo a escravidão uma prática generalizada (salários tão baixos que é a mesma coisa que sem salário).

As lutas que começaram nas fábricas do início do século XX não acabaram e temos ainda um grande caminho a percorrer.

Reprodução Freepik

E é por isso que o slow fashion (olha o tricô artesanal aqui!!!) é uma atitude feminista! Deixando de comprar das grandes redes da indústria da tendência, você deixa de dar lucro pra esse tipo de empresa e, consequentemente, deixa de financiar a exploração do trabalho de outras mulheres e crianças (e pessoas em geral).

E como eu posso ajudar?

Ah isso é mais fácil que você imagina! Sempre que sentir vontade de comprar algo em uma grande rede de lojas, pesquise no Google se essa rede está envolvida em algum escândalo ou se apresenta histórico de trabalho escravo.

Mas, mais fácil (e mais barato), é você recorrer as outras opções que temos, não é mesmo? A moda circular é um exemplo, existem MUITOS brechós espalhados pela cidade, com lojas físicas e virtuais. Com certeza vai achar algum que tem o seu estilo. Outra opção são as pequenas marcas, aquelas de pequenos empreendedores, as costureiras e os artesãos.

Por hoje pra esse tema, é isso pessoal!
Até a próxima e um grande Abraço Quentinho!

FONTES:

Wikipédia
BrasilEscola
Sesipr
Aventuras na História
Efemérides do Éfemello

Hey, Tricô, quantos anos você tem?

Estava aqui em casa tricotando, é claro, e parei pra pensar: “o tricô é muito antigo, deve ter uns mil anos”.

Como eu não me aguento com essas curiosidades já parti pra pesquisa! E, cara! Que surpresa, eim? Numa escala de 0 a 10, quanto que vocês acham que eu estava errada?

Foi um verdadeiro 10. O tricô é muito mais antigo do que isso!

Como os materiais usados na antiguidade acabaram se decompondo (ossos, madeira, algodão, seda, …), acabamos sem um registro preciso de quando que o tricô foi inventado. Mas os historiadores conseguem pelo menos nos dizer uma época, um período histórico.

Imagem “verdadeira” de egípcios tricotando

Isso mesmo! Os egípcios foram os primeiros a deixar registros da técnica, e esse registros datam de mais de 20 mil anos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! (não tem ponto de exclamação suficiente pra essa informação).

As agulhas eram feitas de ossos ou madeira e tinham um aspecto parecido com as agulhas de crochê. É que ainda não existia bem essa divisão clara entre as técnicas e pra falar bem a verdade as duas técnicas são irmãs!!! O tricô de 20 mil anos atrás era feito com apenas com uma agulha, misturando um pouco das duas técnicas (crochê e tricô).

Outra diferença bem grande, é que naquela época, as fibras naturais, em oposição às lãs, é que eram utilizadas. Sendo muito utilizadas os fios feitos com algodão e seda. Até dá pra entender, né? Já pensou morar no deserto do Saara e usar algo de lã? Já fiquei com calor aqui!

Fiquei muito feliz de descobrir que mesmo 20 mil anos depois o tricô artesanal ainda existe! Se parar pra pensar, é a tradição mais antiga que eu conheço, você consegue pensar em algo tão velho assim?! Não consigo nem entender o que é 20 mil anos pq é muito tempoooo!

Bora trabalhar pra que o tricô permaneça vivo, por muitos 20 mil anos mais!!

Por hoje é isso, pessoal!
Um grande Abraço Quentinho!

FONTES:

Wikipedia
UOL
Medium
Factretriever.com

Quem está por trás desse projeto lindo???

Oi pessoal! Eu sou a Juliana!

Tricô é coisa de vovózinha? Então pode me chamar de Vovó Juju – também pq eu amo abacate! 🙂

O tricô é uma arte muito especial pra mim e que sempre esteve presente em minha vida. Minha vó ensinou minha mãe, e minha mãe me ensinou! Cresci vendo minha mãe tricotar um blusão pra cada um da família a cada inverno, por isso, desde pequena sempre desfilei lookinhos feitos a mão – esbanjando estilo.

Crescer rodeada de novelos e agulhas foi sensacional! Comecei a aprender com 11 anos e até hoje aprendo coisas novas a cada projeto!

Falando em projetos….. vocês também são as loucas do projeto inacabado? Sério, estou com várias toquinhas, cachecóis, blusas e casacos parados porque eu não consigo me conter!!! É passar na frente de um armarinho que eu já saio com 6 novelos! Por isso, resolvi criar o blog, assim caminhamos juntas na conclusão desses projetos, dividimos técnicas e aprendemos ainda mais juntas! Além, é claro, de participar da realização do meu sonho: usar apenas blusas de lã feitas a mão!

Acredito no potencial transformador do artesanato. Ser capaz de criar suas próprias roupas, exercer sua criatividade e a realização que bate no coração quando terminamos aquela peça cheia de tranças e detalhes trabalhosos é extremamente empoderador!!! É realmente viver de vdd o seu estilo pessoal!

Por isso, também sou grande fã de brechós e tenho as costureiras guardadas bem fundo no meu coração! Cada dia que passa, ficamos mais conscientes do que é a industria da moda e seus crimes, que vão desde as tendências impossíveis de acompanhar – incentivando um consumismo loko – até um impacto ambiental gigantesco e trabalho escravo generalizado. Essas tristezas precisam parar de acontecer! E um jeito bem bacana que nós consumidores podemos colaborar é preferindo o SLOW FASHION (termo do inglês que significa moda devagar, em contraste a grande indústria das tendências, o fast fashion), comprando em brechós, pequenas confecções e artesãos!

Um dia quando me sentir preparada, farei parte de vdd desse mundo slow fashion, oferecendo meu trabalho como artesã e aceitando encomendas. Por agora, vamos curtir o que há de melhor pra se falar: tricô!

Um grande Abraço Quentinho!
Juliana 🙂